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terça-feira, 11 de setembro de 2012

Destino

Estendi a mão direita sobre a sua mão esquerda.
Com os dedos finos percorreu os leitos secos de minha palma.
Falou de amor, trabalho, saúde, família.
Suspirei um amor, sonhei com um trabalho, desejei saúde, busquei pela família.
Quinze foram os minutos que construíram a minha felicidade.
Recolhi a mão, querendo manter para sempre, ali, tudo o que ouvira.
Com a mão cerrada, chorei.


sábado, 31 de dezembro de 2011

Feliz VOCÊ, seja lá qual for o ano

Nasci em sessenta e três.
Quarenta e oito anos se passaram desde então e algumas coisas aconteceram. Já tenho algumas histórias para contar.
Enterrei pessoas queridas e amadas e fui a pessoa que discursou nestes funerais. Homenagear aqueles que amamos com a voz embargada é tarefa das que menos gosto. Aprendi que é melhor fazer isso aos poucos, mas todos os dias. Nem sempre consigo praticar...
Vi nascerem crianças amadas e contribuí com a vinda de duas delas. Ganhei outras duas de presente e por escolha, trabalho/aprendo com outras tantas que foram rejeitadas.
Fui sequestrada duas vezes, uma delas com minha filha no carro e com uma arma apontada para sua cabeça de apenas cinco anos. Esta mesma filha, por descuido do pediatra, caiu da mesa de exames e entrou em choque. A culpa ficou comigo.
Entrei em depressão, fui parar no hospital e a única coisa que tiveram certeza é que não sabiam o que eu tinha. Cogitaram tentativa de suicídio. Eu? Me poupe... Sou covarde demais para isso.
Ao nascer o primeiro grande amor incondicional da minha vida, Lucas, quase morri com a quase morte dele.
Emagreci, engordei e tornei a emagrecer. Engordei de novo. Crescer, só um metro e cinquenta e seis centímetros.
Namorei, transei com amor e sem, beijei, abracei, casei, descasei e casei de novo. Fui feliz e triste. Chorei e gargalhei. Fiquei impassível também. Desejei muita gente que nem me olhava. Fui incapaz de perceber os que me queriam.
Rejeitei muita gente que depois aprendi a respeitar. Meu padrasto é um exemplo vivo disto. Bem paciente ele...
Já ganhei muito dinheiro e gastei tudo. Fiz faculdade, curso de tarô, de escrita criativa, eneagrama, programação neurolinguistica, coaching, desenho, pintura em cerâmica e também fiz nada muitas vezes e por muito tempo.
Privilégio de poucos, eu sei, pisei em todos os continentes deste mundo, morei na Alemanha e voltei para São Paulo. Viajei só e não gostei e também já viajei acompanhada e não gostei. Amores foram desfeitos neste trajeto e algumas amizades também.
Falei muito palavrão, xinguei no transito, sofri acidentes.
Passei por revista em cadeia para visitar alguém que eu muito amava, descrente que estivesse envolvido em assassinato. Estava envolvido, foi preso, julgado e condenado. Chorei.
Tive compaixão por assassina de Yorkshire e ódio mortal de motoqueiros que levaram meu espelho lateral. Fui incoerente, confusa e me senti pequena.
Disse coisas que magoaram alguma pessoas. Todas muito generosas, me perdoaram. Eu também perdoei.
Fui à igreja, mesquita, sinagoga, centro de umbanda, candomblé e espírita. Pedi, desavergonhadamente, para qualquer santo, orixá ou rabino que concretizasse os meus desejos. Arregacei as mangas também.
Tenho medo.
Assim como o sol nestes quarenta e oito anos, o medo é presença constante. Amigos íntimos. Crescemos juntos e eu aprendo muito com ele.

Estou esquecendo de muitas coisas e outras estou omitindo mesmo.
Vou passar a meia noite deste trinta e um de dezembro de dois mil e onze numa super festa e minha mãe passará no hospital se recuperando de uma cirurgia cardíaca. A vida é assim mesmo, extremos inclusive na virada do ano.

Tem fatos que eu gostaria que tivessem sido diferentes outros que não tivessem existido e de muitos tenho saudades e jamais serão revividos. Apenas lembrados.

Gosto do fato de poder estar celebrando mais uma virada, sem saber o que me aguarda, quem vou conhecer, quais fatos novos exigirão de mim o melhor que tenho para oferecer e diante dos quais irei me acovardar. Sei que estarei aqui para o que der e vier. Assim como você.

Feliz você!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O que você quer ser quando envelhecer?

Lá pelos idos da década de setenta, quando alguém perguntava a uma criança "o que você quer ser quando crescer?", a resposta poderia ser "salsicha!"
Claro que haviam respostas do tipo engenheiro, advogado, médico, bailarina ou professor. Bombeiro, provavelmente. Meu filho, quando tinha uns oito anos, respondeu motoboy. Quase tive um enfarto.
Em muitos casos, depois da decisão tomada, é um caminho de mão única com desvios naturais ou não, terreno acidentado ou plano - todas essas coisas que caminhadas que tenham a sua duração estimada em setenta e três anos e dois meses, de acordo com o IBGE, encontram. Ou não.
Muitas perguntas vão aparecer também, mas dificilmente, num bate papo de bar, no almoço dominical ou no casamento do primo distante (onde o que você quer é encontrar alguém que seja o seu número), alguém vai te perguntar: o que você quer ser quando envelhecer?
Hoje em dia, tem algumas pessoas perguntando isso para seus clientes - o moderno "coaching" tem essa como uma de suas perguntas poderosas. Mas você já perguntou isso para si próprio?
Assisti a um video, que fez com que eu me perguntasse o que quero ser quando envelhecer. Ponte.
Simples assim.
Até pensei no meu epitáfio:
"Aqui jaz uma ponte. Interligou pessoas, proporcionou caminhos, encurtou distancias. Descanse em paz."

E você. O que vai ser quando envelhecer?

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Abaixo o link e o convite para que assista o video.

Sonho Brasileiro - Manifesto

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Esforço

Na cozinha, começo a esquentar as alcachofras que serão servidas em nosso jantar, estamos de dieta e hoje somos só nós duas. Mãe e filha.
Enquanto não ficam prontas, Camilla prepara o molho que acompanhará cada folhinha de alcachofra e eu começo a picar as folhas de couve prá fazer suco. Papo vai, papo vem - época de vestibular, as dúvidas, a carreira, o que fazer, prá onde ir, qual é a melhor faculdade, a amiga que desistiu no meio do curso, etc e tal.
Uma conversa prá cima, construtiva, cheia de trocas e carregada de amor e confiança no futuro.

...

Ligo a TV, está na Globo e assistimos parte do Jornal Nacional. Se não fosse o jantar, a conversa e o sorriso dela, eu juro que desistia. Acreditar, depois de ter assistido o JN, exige muito de mim.

domingo, 4 de julho de 2010

Qual é a música?

Acordou de mau humor. Sem explicação. Tem gente que não acredita que alguém, só de abrir os olhos esteja de mau humor. Vou tentar explicar em poucas letras, sete para ser exata: D O M I N G O. Agora ficou claro? Mas ela não era daquelas que se entregava facilmente. Primeira alternativa, a TV. Pouco interessava o filme. Rotina é assim mesmo, mas a batalha não seria fácil, estava determinada a mudar esta rota de colisão. Filme infantil, Fábrica de Brinquedos ou algo parecido, com uma frase que logo despertou sua atenção. “A sua vida é um acontecimento. Certifique-se de estar à altura dela.” Era só o que faltava! Não bastava ser domingo e ainda recebia lição de moral da televisão. Resolveu levantar-se. Procedimentos higiênicos básicos, café da manhã, dá uma geral nos emails (os importantes ficarão para mais tarde), resolve ler alguns dos livros acumulados no criado mudo. A escolhida foi Clarice, A Descoberta do Mundo. Segundo passo para reverter o improvável. Percorreu a defesa de palavrões, a incredulidade diante do programa do Chacrinha, um dia de cólera (certamente Clarice escrevera aquilo em um domingo) e a possibilidade do SIM. Era demais, até Clarice resolveu dar lições de moral, possibilidades de vida e coisas do gênero. Quase revoltada, saiu para caminhar. Ipod em punho, mal humor na alma, passos lentos. Se a vida interna ia se virar contra ela, que pelo menos viesse acompanhada de uma trilha sonora decente. O que acontecia internamente, não precisava ser reforçado pelo exterior. Titãs na cabeça da dinossaura. O grupo começa cantando a fome, consolam Marvin, soltam os cachorros e outros bichos e confiam que o acaso os proteja. A alma começa a se expandir. Lentamente, a dinossaura vai se transformando. Remédio bom, pensa ela. Quero mais. A cada artista, uma letra, um sentido e um passo. Na clareira do parque, momento para uma pausa, senta-se. O que ouve não importa mais, pois o resultado começa a ser sentido por todo seu corpo. Os pés, antes militarmente ordenados, entram em completa revolução. A cabeça movimenta-se aleatoriamente, como se o vento a comandasse... Ela dança. Vencedora, volta para casa como se tudo o que precisasse saber na vida, tivesse sido revelado neste momento. O domingo existe, para que a gente dance. Seja lá qual for a música que se apresente, pois na segunda, começa outro baile. aqui, a musica é aquela que voce imaginar...
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