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quinta-feira, 23 de maio de 2013

Isto não é uma carta

Isto não é uma carta. É um texto. Um texto num blogue.
As cartas precisam de papel bonito, envelope, remetente e destinatário. E palavras manuscritas com caneta Bic preta, trechos riscados. Palavras que formem um corpo, um conjunto, que expressem o que não se consegue falar.

Cartas começam com data, nome, um cumprimento breve. Dependendo do teor da carta, a saudação cai fora. Pensando bem, melhor manter o protocolo. Mesmo que o conteúdo seja duro, uma introdução é necessária. Olá! Como vai? O que tem feito? Um quebra gelo, uma enrolação qualquer, bobagens para quem está criando coragem. Carta, precisa de coragem.
Mas isto não é uma carta.

Se fosse uma carta, seria de amor. E pra você.
Mas isto não é uma carta, e eu não tenho coragem de escrever que sinto falta. Muita.


Bairro de Pinheiros, SP
foto: Sylvia Beatrix

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quem não tem cão, fica assim mesmo


Ivone, tudo bem?
Puxa, amiga... já faz um tempo que não mando notícias - estou com saudades!
Mesmo nesta era tecnológica, ainda gosto de uma cartinha... portanto, resolvi escrever.
Ontem, fui ao cinema com a Manoela... cinema sem voce é jogo duro... Bom, assistimos ao "Comer, Rezar, Amar", voce já viu? Aquele com a Julia Roberts e o gostoso do Barden... aff, amiga, me abanaaaa!!! Tirando esse "calorão", ainda não sei se gostei, amei ou detestei o filme! Pode? Acho que fiquei foi com raiva... foi uma ""bad trip" interna...
Fim do filme, falei prá Má: estou lascada!!! Fazer um roteiro MA-RA-VI-LHO-SO daqueles, prá se encontrar... quem pode? Só a Julia... que faz e ainda ganha uma for-tu-na prá isso. É, a autora do livro também... Confesso que fiquei com dor de cotovelo.
Nesta altura do campeonato e a maré do jeito que está, parei prá pensar. Comecei a fazer contas, começando por quanto eu já gastei na terapia com a Bete. Nem terminei, Ivone... nem terminei. Quando cheguei aos sete anos de terapia re-li-gi-o-sa-men-te frequentados, parei. Fui sentindo uma falta de ar, uma tontura. A Má ficou preocupada, me deu uns chacoalhos e falou prá eu acordar. OK, acordei... mas meu bolso, acho que não se recupera dessas contas. Já era para eu ter me encontrado há ANOS!! Anos!!
Como eu já estava na onda do filme, voltei prá casa, deixei esses numeros horrendos de lado e resolvi levantar meu astral. Fui olhar minhas fotos, ver algumas das viagens que fizemos juntas - isso tem valor, né? TEM QUE TER... 
Tinha uma foto bacana, em Caraíva, em frente da "mezzo cantina, mezzo casa" dos italianos que resolveram viver lá... Não era a Itália, mas o lugar era super lindo e a pasta... decente. Recordando esses momentos memoráveis, tive a certeza: não foi lá que me encontrei.
Fomos para Aparecida, lembra? A Basílica é linda, fizemos promessa, acendemos vela (como era cara!), assistimos missa, compramos santinho, fitinha, tudo! E do Jorge... não me livrei. Devo ter acendido vela para o santo errado. Voce e a Manoela, não podem reclamar. O que não fazia parte, na época, era a Má se apaixonar pela Renata... De qualquer maneira, querida, eu bem que poderia ter alimentado a alma, o espírito e todo o resto... mas não aconteceu.
Será que o problema é o tempo de duração da viagem? A Má acha que sim, ela disse que dá certo se a viagem for por um ano. Com tanto tempo assim, se a pessoa não se achar, tá perdida mesmo - aí, não tem jeito! E indo de um lado para o outro, quem vai conseguir te encontrar???
Mas um ano fora, amiga... como pode? O que faço com a luz, água, telefone, minha mãe, meu cachorro, o apê, emprego... ai!!! Socorro!!!
Ivone, a coisa tá séria para o meu lado... Se até aqui, "comer e rezar" foi uma lástima, o que dizer do "amar"!? O traste do Jorge, não ata nem desata - mas eu tenho fé, ô se tenho... Ele vai largar aquela mocréia antes do final deste ano (e não adianta, voce suspirar e pensar "de novo"... dessa vez vai acontecer, tô sentindo...) Ele está diferente, mais comprometido... Vai ver que é o meu santo lá de Aparecida, com um certo atraso de anos, trabalhando a meu favor...
Querida, vou parar por aqui... meu pulso tá doendo (de quem foi a idéia de escrever cartinha?) Além disso, enquanto não consigo fazer um circuito Julia Roberts, visitando Italia, India e Indonésia, nem um circuito Elisabeth Arden, trabalhando em Roma, Paris ou Nova Iorque, vou garantir o aluguel no famoso circuito Jeca Tatú (Barueri, Carapicuiba e Itapevi) que a vida de vendedora é isso mesmo... uma "aventura" atrás da outra!

Um grande beijo, saudades
Solange




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