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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Hai Kai - ai

***

Atirou no que viu.
Doeu.
Atiraria de novo...

***

Hipocrisia.
Quem pode, quem se fode?
Vida, que porre!

***

Como banana
Largada no canto
Apodrecendo

***


Bananas
foto: Sylvia Beatrix



quinta-feira, 23 de maio de 2013

Isto não é uma carta

Isto não é uma carta. É um texto. Um texto num blogue.
As cartas precisam de papel bonito, envelope, remetente e destinatário. E palavras manuscritas com caneta Bic preta, trechos riscados. Palavras que formem um corpo, um conjunto, que expressem o que não se consegue falar.

Cartas começam com data, nome, um cumprimento breve. Dependendo do teor da carta, a saudação cai fora. Pensando bem, melhor manter o protocolo. Mesmo que o conteúdo seja duro, uma introdução é necessária. Olá! Como vai? O que tem feito? Um quebra gelo, uma enrolação qualquer, bobagens para quem está criando coragem. Carta, precisa de coragem.
Mas isto não é uma carta.

Se fosse uma carta, seria de amor. E pra você.
Mas isto não é uma carta, e eu não tenho coragem de escrever que sinto falta. Muita.


Bairro de Pinheiros, SP
foto: Sylvia Beatrix

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Vago


Um pé no espaço. Um pé sem corpo.
Pé solto, sem outro, pé solo, sem prumo.
Suspenso. Imenso. Tenso.
Repenso.
Prá onde vai, prá onde levo, se desespero ou se tolero.
Tropeço.
Manco. Desbanco. Atravanco.
Paro. Para, Pedro, Pedro, para.
Esse Pedro é uma parada, manda em tudo, manda e mata, mata, mata.
Para, Pedro.
Para Pedro, paro eu.
Fico sem chão.
Fico sem pé.
Sem pé, nem cabeça.
Por favor, me esqueça.


quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Se ventar...

Mais um dia...
Ouvir o despertador, pernas e olhos pesados, levantar.
Preparar o café, tomar banho, desjejum.
Caminhar até o ponto, sacudir em pé no ônibus, trajeto.
Bater o cartão, ligar o computador, bom dia, posso ajudar?
Marmita fria, arroz sem mistura, refeição.
Outro telefonema, café sem gosto, boa tarde, posso ajudar?
Sair as cinco, chegar às oito, trânsito.
Abrir a porta, cômodo para arrumar, solidão.
Deitar tarde, sem janta nem tevê, que vida.
Melhor dormir, sem suspirar.
Está que é só o pó...



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Cantiga

Roda, roda, roda...
Sente o vento beijar seu rosto, enrubesce.
Leves, esvoaçam seus fios de cabelo, voa.

Roda, roda, roda...
O corpo não sente, solta.
As mãos se entrelaçam, promessa.

Roda, roda, roda...
O tempo, não teme.
Pulsando no peito, ama.

Roda... roda... roda...
Compasso se perde, entristece.

Roda... roda... roda...
Sem ter o que segurar, tomba.

Roda... roda... roda...
Sozinha, zonza, canta...

... e o anel que tu me deste...






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