Vou me casar.
Sério?
É, sério!
Primeiro ou segundo?
Segundo... o primeiro me livrei faz tempo, credo, nem deveria ter me casado, safado. Foi uma tristeza desde o primeiro dia - levanta o braço...
Aiiii... a cera tá quente
Desculpe! Melhorou?
Melhorou... tô meio sensível hoje... mas, se foi ruim desde o primeiro dia, por que se casou?
Menina, acredita que ele preparou todos os papéis, sem me falar - levanta o outro braço - e na hora, fiquei sem graça e casei, assim, sem mais nem menos. Uma tonta. Prestou pra me dar os filhos que tenho, mais nada.
Coisa louca... ai! Hoje vai ser duro, de olhar a cera já dói. E agora, com esse segundo?
Ah!, esse é diferente, já estamos juntos há 7 anos... meu amorzinho, com ele sou feliz - segura a pele aqui pra mim... assim - meus filhos estão felizes por mim, estão mais ansiosos que eu, pode isso?
Qual a idade deles?
25 e 27 anos, já estão casados e tudo... tenho até uma netinha, Carolina, meu dengo. Vai levar as alianças, dessa vez eu caso na igreja.
E onde vocês se conheceram?
Na rua.
Na rua? Antigo isso! Hoje as pessoas se conhecem pela internet.
Pois é, eu estava indo pro forró, tinha acabado de voltar do trabalho quando uma amiga me faz sair de casa. No caminho, indo pegar o taxi, o carro dele para ao meu lado, tomei o maior susto - terminei a frente, pode virar - hoje em dia, a gente fica com medo, né? Tanta violência. Apertei o passo, o carro andou mais um pouco e ele, todo gentil me disse "tem medo não, eu só queria dizer que você é linda. Linda demais!".
Com esse sorriso - ai! - estampado no rosto, parece que o seu medo foi embora rapidinho!
Pois é, menina! Andei mais um pouco, apressada, eu tava assustada, vai saber se ele e o amigo me jogam dentro do carro, Deus me livre! Avançaram com o carro, ele desceu e, de novo, o papo do você é linda. Perguntou onde eu ia, disse que conhecia o lugar, me desejou boa noite e foi embora. E eu, fui pro forro. Segura aqui pra mim, assim... bom, 3 da manhã, olho pro lado e ele está lá, parado, me olhando. Sorri e pede pra eu dançar a última música com ele - acredita que ele ficou me olhando a noite toda!?
Que lindo! Ai! Odeio depilação...
Vira, tá acabando... Eu chamei ele de tiozinho, sabe, na época ele tava bem acabadinho e... ai!
Que foi?
Uma pontada... vai passar...
Onde?
Ai... tá doendo... meu peito... tá forte... meu braço...
Peraí... Dete? Dete? Dete!!!!!
terça-feira, 13 de agosto de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
O pior pai do mundo
Experimenta!
Não.
Experimenta!
Não.
* * *
Quantos dias tem um mês?
12?
Quantos dias tem o ano?
30 ou 31?
Ah!, quer quebrar o lápis? Deixa que eu quebro...
* * *
Olha, você quer mesmo se casar?
Quero.
Tem certeza?
Tenho.
Se você não tiver certeza, eu te levo pra onde você quiser, agora.
* * *
O que você bebeu?
Vodka, cerveja, tequila, pinga e não lembro mais...
Querida, se você tivesse tomado querosene, o porre seria menor...
* * *
Você mordeu a sua irmã?
...
Responde!
...
Você sabe que ela é a pessoa mais importante pra você? Quando eu for embora, quando sua mãe não estiver mais aqui, ELA é a sua família? Responde: você mordeu a sua irmã?
Buáááá...!!!!
* * *
Filha, tamo junto. Aqui, nessa esfera ou em qualquer outra que exista. Sempre.
* * *
Não.
Experimenta!
Não.
* * *
Quantos dias tem um mês?
12?
Quantos dias tem o ano?
30 ou 31?
Ah!, quer quebrar o lápis? Deixa que eu quebro...
* * *
Olha, você quer mesmo se casar?
Quero.
Tem certeza?
Tenho.
Se você não tiver certeza, eu te levo pra onde você quiser, agora.
* * *
O que você bebeu?
Vodka, cerveja, tequila, pinga e não lembro mais...
Querida, se você tivesse tomado querosene, o porre seria menor...
* * *
Você mordeu a sua irmã?
...
Responde!
...
Você sabe que ela é a pessoa mais importante pra você? Quando eu for embora, quando sua mãe não estiver mais aqui, ELA é a sua família? Responde: você mordeu a sua irmã?
Buáááá...!!!!
* * *
Filha, tamo junto. Aqui, nessa esfera ou em qualquer outra que exista. Sempre.
* * *
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segunda-feira, 22 de julho de 2013
Hai Kai - ai
***
Atirou no que viu.
Doeu.
Atiraria de novo...
***
Hipocrisia.
Quem pode, quem se fode?
Vida, que porre!
***
Como banana
Largada no canto
Apodrecendo
***
| Bananas foto: Sylvia Beatrix |
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Futuro passado
Reparou em cada um dos detalhes da mesa organizada para o jantar. Jamais teria escolhido lírios para a decoração. A entrada estava sem sal, o prato principal crú e a sobremesa, excessivamente doce.
Na verdade, ela futuro do pretérito tudo. Tudinho.
Teria escolhido tons de azul, no lugar do pálido rosa eleito pela anfitriã. Arranjos com flores do campo, seriam mais alegres do que os lírios. Prepararia a receita de família, perfeita para uma ocasião como aquela. Vitelo tonné, seguido do capelletti da Nonna e o manjar dos manjares - pudim de leite, com furinho e tudo! Seria perfeito. Receberia a todos com alegria e prazer. Viveria o momento, pois saberia que a felicidade é feita de instantes, entregaria o melhor de si, conversaria sobre trivialidades, política e besteiras. Falaria muita besteira, principalmente depois que tivesse tomado mais vinho do que acharia correto. Quebraria as regras de vez em quando. Sussurraria obscenidades ao pé do ouvido de seu amado. Lançaria olhares que somente ele compreenderia. Receberia outros de volta. Os convidados elogiariam a recepção, a noite agradável. Precisamos repetir mais vezes, diriam.
Na verdade, ela futuro do pretérito tudo. Tudinho.
Teria escolhido tons de azul, no lugar do pálido rosa eleito pela anfitriã. Arranjos com flores do campo, seriam mais alegres do que os lírios. Prepararia a receita de família, perfeita para uma ocasião como aquela. Vitelo tonné, seguido do capelletti da Nonna e o manjar dos manjares - pudim de leite, com furinho e tudo! Seria perfeito. Receberia a todos com alegria e prazer. Viveria o momento, pois saberia que a felicidade é feita de instantes, entregaria o melhor de si, conversaria sobre trivialidades, política e besteiras. Falaria muita besteira, principalmente depois que tivesse tomado mais vinho do que acharia correto. Quebraria as regras de vez em quando. Sussurraria obscenidades ao pé do ouvido de seu amado. Lançaria olhares que somente ele compreenderia. Receberia outros de volta. Os convidados elogiariam a recepção, a noite agradável. Precisamos repetir mais vezes, diriam.
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quarta-feira, 10 de julho de 2013
Desabafo patriótico
Brasil, querido.
Deixa eu te contar uma coisa. A diferença está nos detalhes. Pequenos. Mínimos. Quase desprezíveis. Mesmo assim, fazem a diferença.
Um exemplo. O site de um local informa a hora em que os ingressos serão distribuídos. Nem todo mundo mora perto do local, querido Brasil.
Isso significa que, alguém que more longe e se programe para participar de tal evento, se organiza com maior antecedência. Quer ir? Interrompa o seu almoço familiar para chegar no horário.
E o que é o tempo?
Para nós, Brasil, é uma dádiva dos deuses. Ao nosso bel prazer, certo? (cá entre nós, Brasilzinho amado, como você desfruta desse tempo através de seus cidadãos! Horário pra quê? Bah!).
Bom, como o tempo para você não é dinheiro, pelo menos dinheiro é dinheiro. Certo? Errado! Lembra do site que te informava o horário? Pois é, estava errado. Novas? Não, né? E a desculpa: erro no sistema. Nova? Também não, né?
Brasil, deixa eu te contar.
Devo ser mulher de malandro - tu me dá na cara, mas eu amo. E olha que o Gigante é você, eu tenho um metro e meio e, tô aqui.
Querido, eu sei que pra você as 2 horas que eu vou ficar esperando, mais o valor adicional do estacionamento é, como diriam os americanos, peanuts, dinheiro de pinga, diria meu pai.
Mas de peanuts em peanuts, de pinga em pinga, ficamos nesta situação horrível que ambos nos encontramos.
Eu, morrendo de frio na rua, neste momento em que te escrevo e você, com manifestantes, vândalos, revolucionários, mães, filhos, professores, médicos e o escambau, tacando fogo em suas ruas, prédios e tudo o mais, dia sim, dia não.
PS: não é só por causa do ingresso.
![]() |
| "Os Candangos", de Bruno Giorgi (estátua de bronze, 1957) foto: Sylvia Beatrix |
domingo, 9 de junho de 2013
Mesmo assim, ela chorou
O desfecho já era conhecido. No fim ela morre.
Tudo começou na praia, entre uma caipirinha e fogos de artifício. Um olhar marcante. O adjetivo é comum, o olhar, não. Marcante pelos contornos naturais, pelos fortes desenhos negros e vigorosos do cajal. Olhar convite. Decifra-me. Desafio aceito.
Logo na primeira página a certeza de ter perdido o desafio. Os ganhos seriam outros. Tão intensos quanto o olhar. Desculpe, marcantes. Olhares marcantes. Intensos, foram os sentimentos que entraram pelo umbigo. Pelo umbigo, sem pedir licença, e foram se apoderando visceralmente do que encontravam pela frente. Intestino, estômago, abarcaram pâncreas, rins e vesícula em movimentos quase bruscos. E como se soubessem que o mais fundamental dos órgãos precisasse de mais talento, cuidado e zêlo, diminuiram a velocidade até chegar ao coração. Pela falta de ar que algumas passagens provocavam, foi possível acreditar que os pulmões haviam sido massacrados. Era apenas identificação, cumplicidade. Bruxaria, talvez.
Logo na primeira página a certeza de ter perdido o desafio. Os ganhos seriam outros. Tão intensos quanto o olhar. Desculpe, marcantes. Olhares marcantes. Intensos, foram os sentimentos que entraram pelo umbigo. Pelo umbigo, sem pedir licença, e foram se apoderando visceralmente do que encontravam pela frente. Intestino, estômago, abarcaram pâncreas, rins e vesícula em movimentos quase bruscos. E como se soubessem que o mais fundamental dos órgãos precisasse de mais talento, cuidado e zêlo, diminuiram a velocidade até chegar ao coração. Pela falta de ar que algumas passagens provocavam, foi possível acreditar que os pulmões haviam sido massacrados. Era apenas identificação, cumplicidade. Bruxaria, talvez.
Neste ritmo compassado de quem ama e respeita, o último órgão foi envolvido. O cérebro, inerte e sem vida, por onde só a razão passa, não era foco. Nele algo se alojaria para sempre, sem que força fosse necessária.
Abandonando a impetuosidade inicial, aproximaram-se do coração pedindo licença, com jeito, carinho, manha dengosa. Manha de amor, de bem querer. Ali ficariam por tempo indefinido. Compaixão ou cinismo? Definição sem importância. Já estavam lá.
Como era de se esperar, a avalanche se deu na última página. Clarice morre. Fato conhecido desde a primeira.
Mesmo assim, ela chorou.
Abandonando a impetuosidade inicial, aproximaram-se do coração pedindo licença, com jeito, carinho, manha dengosa. Manha de amor, de bem querer. Ali ficariam por tempo indefinido. Compaixão ou cinismo? Definição sem importância. Já estavam lá.
Como era de se esperar, a avalanche se deu na última página. Clarice morre. Fato conhecido desde a primeira.
Mesmo assim, ela chorou.
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segunda-feira, 3 de junho de 2013
Prendas domésticas
Chinelo de dedo, unhas pintadas de exagero.
Braço de pele cerzida.
Trinta pontos e cinco arremates.
Entupido de cana e ciúme, Tomas acariciou Nilza com a peixeira.
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Isto não é uma carta
Isto não é uma carta. É um texto. Um texto num blogue.
As cartas precisam de papel bonito, envelope, remetente e destinatário. E palavras manuscritas com caneta Bic preta,trechos riscados. Palavras que formem um corpo, um conjunto, que expressem o que não se consegue falar.
Cartas começam com data, nome, um cumprimento breve. Dependendo do teor da carta, a saudação cai fora. Pensando bem, melhor manter o protocolo. Mesmo que o conteúdo seja duro, uma introdução é necessária. Olá! Como vai? O que tem feito? Um quebra gelo, uma enrolação qualquer, bobagens para quem está criando coragem. Carta, precisa de coragem.
Mas isto não é uma carta.
Se fosse uma carta, seria de amor. E pra você.
Mas isto não é uma carta, e eu não tenho coragem de escrever que sinto falta. Muita.
As cartas precisam de papel bonito, envelope, remetente e destinatário. E palavras manuscritas com caneta Bic preta,
Cartas começam com data, nome, um cumprimento breve. Dependendo do teor da carta, a saudação cai fora. Pensando bem, melhor manter o protocolo. Mesmo que o conteúdo seja duro, uma introdução é necessária. Olá! Como vai? O que tem feito? Um quebra gelo, uma enrolação qualquer, bobagens para quem está criando coragem. Carta, precisa de coragem.
Mas isto não é uma carta.
Se fosse uma carta, seria de amor. E pra você.
Mas isto não é uma carta, e eu não tenho coragem de escrever que sinto falta. Muita.
| Bairro de Pinheiros, SP foto: Sylvia Beatrix |
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segunda-feira, 20 de maio de 2013
Onde ninguém vê
É de barro quem se aproxima, passos colados ao chão sem linha que separe um do outro.
Sem luz começou seu dia e assim vai terminar. O invisível arqueia seus ombros, pesa o andar.
Sentado em frente à porta da casa desgostosa, o mais pequeno espera.
Os grandes foram com o pai, no mesmo cedo de sempre, sem reclamar. Viveram enxada, terra e semente enquanto o sol observava e nem uma sombra convidava pra refrescar. Se a lida de uns terminava, o guri no alpendre esperava - com olhos que cuidam do horizonte embaciado - o momento de começar a sua.
A imagem do que pode ser um homem se aproxima e toma seu posto.
O moleque logo se achega, balde e trapo nas mãos.
Encharca o pano, torce um bocado, envolve um dos pés até que a cor troque de lugar. Repete. Encharca o pano, torce um bocado, envolve o outro pé até que a cor troque de lugar. Repete. Encharca o pano, torce um bocado, envolve mais uma vez o primeiro pé, até que a cor volte ao seu lugar.
Bença, pai.
Sem luz começou seu dia e assim vai terminar. O invisível arqueia seus ombros, pesa o andar.
Sentado em frente à porta da casa desgostosa, o mais pequeno espera.
Os grandes foram com o pai, no mesmo cedo de sempre, sem reclamar. Viveram enxada, terra e semente enquanto o sol observava e nem uma sombra convidava pra refrescar. Se a lida de uns terminava, o guri no alpendre esperava - com olhos que cuidam do horizonte embaciado - o momento de começar a sua.
A imagem do que pode ser um homem se aproxima e toma seu posto.
O moleque logo se achega, balde e trapo nas mãos.
Encharca o pano, torce um bocado, envolve um dos pés até que a cor troque de lugar. Repete. Encharca o pano, torce um bocado, envolve o outro pé até que a cor troque de lugar. Repete. Encharca o pano, torce um bocado, envolve mais uma vez o primeiro pé, até que a cor volte ao seu lugar.
Bença, pai.
| Ouro foto: Sylvia Beatrix |
terça-feira, 9 de abril de 2013
A pilha de alho
Eu tenho medo dos cinco minutos.
Bisa Amélia
Doutor, a gente passa duas horas por dia vindo pro trabalho,
oito horas trabalhando e duas horas no caminho de casa. Sem chuva. Não é fácil.
Chego em casa e tem coisa para fazer. Se eu gosto do meu trabalho? Gosto sim. O
mercado é colorido, animado, tem vida. O senhor conhece a nossa loja? É bonita,
grande, mais limpa que a minha casa - e olha que minha patroa é preocupada com essas
coisas de limpeza. Sempre ralhando com os meninos. Arruma isso! Limpa essa sujeira! Tira a roupa do chão! Dorinha bota
ordem em tudo. O mercado? Logo na entrada é o meu setor, tudo organizado,
perfeitinho, banana, melancia, caqui, abacate, no capricho! Dá um trabalhão
danado empilhar as frutas, são caixas e mais caixas, haja braço. Quem vê pensa
que é fácil. Desgramera é quando tá
tudo acertado e a pilha desmonta e sai rolando por debaixo da bancada laranja-manga-limão-mexerica.
Acontece de vez em nunca. Podia não ter acontecido. Lasquera. A que horas eu entro? Começo cedo, às cinco, deixo cada
coisa no seu lugar, tudo brilhando antes da freguesia chegar - freguesia não, os clientes - o encarregado não deixa a
gente chamar as madame de freguesa,
diz que é mania de feirante. Quanto tempo? Quase 7 anos. Parece conta de
mentiroso, né doutor? Tenho muita história da loja, conquistei respeito, os
clientes gostam de mim, tenho bons colegas. A Maria dos frios, o Claudinei do
estoque, o seu Durval, o Ponto-e-vírgula da peixaria, as meninas do caixa e agora
tem o Estrangeiro! Ele fala tudo enrolado, diz que é brasileiro mas foi embora pro
Peru ainda menino de colo. Voltou agora, logo na idade de pegar exército, mas
deu sorte, com tatuagem não aceitaram o rapaz. Eu nunca soube que Peru era um
país. Só conhecia aqueles que a Maria dos frios fatia como ninguém. As pessoas
falam que a máquina corta tudo direitinho. Que nada! Precisa de braço, aquele
vai-e-vem, saber limpar as cascas sem cortar a carne fora, ajustar a lâmina para
fatiar do jeito que o cliente quer. Se a coisa está bem feita é porque alguém
fez, não foi a máquina. Claro que a gente erra também. O senhor tem um copo
d'água, por favor? Garganta seca, muito tempo falando. Obrigado. Bom, falei que
a nossa loja é uma belezura de tão limpa, mesmo assim tem coisa que a gente não
controla. Um azar danado, justo com a dona Lucia, freguesa antiga, chama a
gente pelo nome, cumprimenta, pergunta dos filhos. Só falta dar beijinho!
Desculpe, doutor, é que ela é bacana mesmo. Ela tem um jeito engraçado, fala
alto, é animada, sabe o que quer. Peixe, só compra com o Ponto-e-vírgula. O
senhor acredita que numa terça, dia de sacolão na loja, ela escorrega numa
folha de alface e se arrebenta toda? O joelho virou prum lado e o corpo pro outro. Uma folha de alface parou Dona Lucia
por 6 meses. Depois de um tempo ela voltou, cadeira de rodas, contando que
estava fazendo fisioterapia e que faltava pouco para andar. Manteve o sorriso,
continuou cumprimentando, chamando pelo nome, mas a loja tomou um processo. Aquilo
foi feio, sobrou pra todo mundo. Na
loja, até casamento terminou. Eu tava
organizando o corredor 5, bolachas, biscoitos, chocolate, quando a mulher mandou
um tapa, mas um tapão dos bons na cara do marido. Ele, jeito de sonso, solta um
"que é isso!?", ela com um pacote de mentirinha na mão,
grita que não aguentava mais, que o casadinho estava ao lado da mentirinha, que
aquilo era um sinal, que já tava
desconfiada fazia tempo e que viu como ele alisou as laranjas na hora de
escolher entre a seleta e a lima - e que ele não alisava ela daquele jeito há um
tempão. E que isso era um sinal. Sinal do que, doutor? Os dois largaram todas as
compras no carrinho. Ela aos prantos, ele dizendo que não era nada disso, que
ela estava enganada, desde quando biscoitinho era sinal de alguma coisa. Vai entender,
doutor, vai entender. Cada louco que a gente encontra pela vida. Quem sou eu pra
julgar, ainda mais na minha situação? Fui voando pro corredor 8, guardar os
potes de sorvete senão, além de ter que colocar tudo o que tinha no carrinho nas
prateleiras, a loja ia ter prejuízo. Isso não pode. A faca? Sempre carrego uma
por causa da degustação. Uma gentileza e também uma forma de vender o que está quase
passando do ponto. Os clientes compram com os olhos e com o estômago. Experimentou,
comprou. Se estiverem com fome, levam mais ainda. Como foi? Já disse, não sei
explicar, doutor. Me deu uns 5 minutos. Eu tinha acabado de montar a pilha.
Veio a madame, toda grossa, me olhando feio. Ela enfiou a mão por baixo de tudo
pra escolher uma cabeça de alho. UMA
cabeça de alho. Foi alho pra todo
lado. Tudo no chão. Uma sujeira, trabalho perdido. Eu já tinha sacudido no
ônibus, tomado chuva e cheguei atrasado. Perdi a cabeça. Meti a faca nela. Então
doutor, vai me defender?
![]() |
| set, 2012 foto: Sylvia Beatrix |
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
O que acontece em meu coração
São Paulo. Só não vê poesia na cidade, quem está fechado na alma.
A cidade que amo, abraça a todos, recebe, acolhe. Nem sempre recebe de volta o amor que entrega. E entrega a muitos, que sem parar, todos os dias e de todos os cantos aqui chegam com seus sonhos.
Cidade estrangeira, mistura de homem e terra.
Se hoje a terra que lhe resta é pouca, sobram homens que tenham lhe retirado este vigor.
Mas não a poesia. Não a beleza. Não o calor.
Como mulher mal tratada, aceita os desaforos daquele que mais ama - este homem que habita seu coração e dorme em sua cama, mas não a reconhece.
São Paulo é mulher, perdida em sua masculinidade. Resistente, materna e bela - em toda e qualquer forma.
A cidade que amo, abraça a todos, recebe, acolhe. Nem sempre recebe de volta o amor que entrega. E entrega a muitos, que sem parar, todos os dias e de todos os cantos aqui chegam com seus sonhos.
Cidade estrangeira, mistura de homem e terra.
Se hoje a terra que lhe resta é pouca, sobram homens que tenham lhe retirado este vigor.
Mas não a poesia. Não a beleza. Não o calor.
Como mulher mal tratada, aceita os desaforos daquele que mais ama - este homem que habita seu coração e dorme em sua cama, mas não a reconhece.
São Paulo é mulher, perdida em sua masculinidade. Resistente, materna e bela - em toda e qualquer forma.
clicada por: Sylvia Beatrix Pereira
local: Avenida Paulista
horário: 14,46h de uma quarta-feira
sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Pato, ovo, uva
“Frequentemente é necessário mais coragem para ousar fazer certo do que temer fazer errado.”
Abraham Lincoln
Abraham Lincoln
“Não ousar é perder-se.”
Soren Kierkergaard
Soren Kierkergaard
O prato favorito de meu marido é sarapatel. Prato popular pernambucano, composto das vísceras de porco cortadas bem miúdas, sangue coalhado e tempero, muito tempero. Sendo paulistana, descendente de paulistanos e italianos, os paladares que permearam minha vida até casar-me com um descendente de nordestino eram outros. Sempre fui muito enjoada para experimentar algo que fosse diferente do “il vero sugo da Mamma”. Berinjela, só depois dos trinta – e hoje sou fã incondicional.
Tive a oportunidade de participar de um treinamento, para uma equipe de turismo que acompanharia um grupo de 150 cônjuges e funcionários de um grande banco brasileiro, numa viagem à China na época dos Jogos Olímpicos de Pequim. Várias interrogações rondavam as cabeças dos participantes daquele workshop, mas a principal era: vou ter que comer escorpião? A pergunta em si traz dois pontos que, não raro, trabalhamos em coaching. O medo do desconhecido (será que na China só tem comida esquisita?) e o julgamento (como eles se alimentam disso?)
Ousar ter uma nova experiência, seja no ambiente profissional, em outro país ou no almoço dominical familiar, solicita que estejamos abertos e preparados. Evitamos ousar por falta de informação ou por preconceito. Não raro, ambos. Este treinamento aconteceu ao redor de uma mesa, num restaurante chinês em São Paulo, onde os participantes se surpreenderam ao serem apresentados a tantas iguarias chinesas diferentes e saborosas. Nem um espetinho de escorpião foi oferecido e todos saíram satisfeitos. Claro que cada um teve a sua preferência, mas saíram certos de que também era possível ter uma experiência gastronômica excelente na China. Além de terem aprendido o motivo que levou os chineses a comerem de maneira tão diferenciada. Um povo que passou por um período histórico chamado “A Grande Fome”, certamente aprenderia a se alimentar com o que a natureza ofertasse. É um fato. Podemos gostar ou não, mas devemos respeitar e a partir do momento que temos a informação, o conhecimento, reduzimos o medo.
Se eu ainda mantivesse os hábitos alimentares de minha família, teria perdido grandes oportunidades. Entre elas, a de experimentar na China um prato de arroz cremoso combinado com lascas de pato, ovo poché e uvas verdes. Uma das combinações que até hoje me fazem salivar, trazem as recordações de uma viagem maravilhosa e de uma experiência única.
Acho que está na hora de ousar novamente e experimentar o sarapatel.
terça-feira, 30 de outubro de 2012
Surdez
Braços cruzados, apoiada no portão da frente de sua casa geminada, no bairro de Pinheiros. Cabelos brancos, curtos e lisos, avental puído com o nome de loja de cama e mesa, bordado gasto e marcas de gordura. O vestido também já teve vida.
- Moça, por favor. Desculpe interromper a sua caminhada, mas gostaria de saber se você ou alguém de sua família recebem pensão do INSS.
Com pressa e sem ouvidos, uso as mãos na tentativa de descartar a conversa. Inútil. A senhora é mais hábil e bondosa do que eu, consegue esticar a conversa.
- Sabe que agora estão pedindo prova de vida, assim, sem avisar? Num mês você recebe a pensão direitinho, no outro, nada! Estou fazendo uma campanha, aqui no portão, para avisar o maior número de pessoas que posso. A senhora é fotógrafa?
O coração estava acelerado, sinal de que você não estou onde gostaria, nem tendo a conversa que desejava. Se o coração queria sair, nem que fosse pela boca, um dos ouvidos começou a se interessar pela senhora. O outro continuou surdo.
- Eu não conheço por aqui um lugar para consertar câmeras, mas na Rua Quintana sei que tem. Só não sei que tipo de conserto eles fazem. É possível uma coisa dessas? Olha, desculpe te interromper assim, mas foi a única maneira de avisar as pessoas. Pedem prova de vida sem avisar!
O coração ansioso para sair pela boca e o ouvido surdo, ganharam. Sorri e fui embora.
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terça-feira, 11 de setembro de 2012
Destino
Estendi a mão direita sobre a sua mão esquerda.
Com os dedos finos percorreu os leitos secos de minha palma.
Falou de amor, trabalho, saúde, família.
Suspirei um amor, sonhei com um trabalho, desejei saúde, busquei pela família.
Quinze foram os minutos que construíram a minha felicidade.
Recolhi a mão, querendo manter para sempre, ali, tudo o que ouvira.
Com a mão cerrada, chorei.
Com os dedos finos percorreu os leitos secos de minha palma.
Falou de amor, trabalho, saúde, família.
Suspirei um amor, sonhei com um trabalho, desejei saúde, busquei pela família.
Quinze foram os minutos que construíram a minha felicidade.
Recolhi a mão, querendo manter para sempre, ali, tudo o que ouvira.
Com a mão cerrada, chorei.
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domingo, 9 de setembro de 2012
Vida ISO
A casa tinha janelas que não podiam ser abertas e que desta forma seriam eternas. Os livros ocupavam prateleiras e mais prateleiras perfeitas e outras mais perfeitas. Tudo em ordem.
O que atrapalhava era o pó que insistia em penetrar na casa, intruso e sorrateiro, pelas frestas, vãos das portas, pelas solas dos sapatos, escondidos nos casacos, dentro do peito.
domingo, 15 de julho de 2012
quarta-feira, 20 de junho de 2012
Vago
Um pé no espaço. Um pé sem corpo.
Pé solto, sem outro, pé solo, sem prumo.
Suspenso. Imenso. Tenso.
Repenso.
Prá onde vai, prá onde levo, se desespero ou se tolero.
Tropeço.
Manco. Desbanco. Atravanco.
Paro. Para, Pedro, Pedro, para.
Esse Pedro é uma parada, manda em tudo, manda e mata, mata,
mata.
Para, Pedro.
Para Pedro, paro eu.
Fico sem chão.
Fico sem pé.
Sem pé, nem cabeça.
Por favor, me esqueça.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Banheiro misterioso
- Querido, amei a casa!
- É, também gostei.
- A cozinha novinha! Vou encher as paredes com a coleção de pratos da "Boa Lembrança".
- É mesmo...
- E o piso? Lindo, fácil de limpar. Podemos ter um cachorro, as crianças vão amar, tem espaço... dá trabalho, tem que limpar, passear, ah!, mas é comercial de margarina, tem que ter cachorro!
- Sei... cachorro...
- Nossa, que desânimo! Você estava tão empolgado, o que foi?
- O banheiro de casal, não gostei.
- Deixa disso, amor... é um detalhe. Ninguém vai reparar, fica na área privativa da casa, é muito alto. Nem quando usarmos o banheiro aquilo vai incomodar. Você nem vai ver.
- Não vejo, mas sei que está lá. Assustador. Quem pensaria numa porcaria daquelas!?
- Calma, não precisa se exaltar, muito barulho por nada.
- Pensa comigo. Não faz sentido. Gastam uma grana na casa, arquitetura estilosa, jardim bacana... aí, em algum momento, decidem colocar aquela merda imensa no banheiro? De quem foi a idéia de girico?
- Amor, deixa disso. É só um detalhe...
- Detalhe!? Você viu o tamanho do "detalhe"? Se aquilo prá você é um detalhe, casada com um japonês você seria feliz, é isso? Aquilo sim é detalhe.
- Benhê, não misture as coisas. Eu gostei muito da casa e...
- Eu também gostei, mas aquilo... Já sei, antes de decorarmos a casa, compro uma bola de futebol e deixo o Luquinhas bater bola no banheiro. Quem sabe ele acerta o chute e resolve nosso problema.
- Seu problema, amor. Deve ter sido uma perua qualquer, com ataque ecológico que resolveu usar a parede para homenagear o Greenpeace. Não me incomoda, nem vou ver. Gostei de todo o resto. Pára com isso, você tá parecendo criança.
- Pára? Você viu direito aquilo? Quem é que escolhe um tréco daqueles prá decorar um banheiro? Prá decorar qualquer coisa? O casal entra na loja e começa - ai, amor... que tal um motivo floral? ui, benhê, floral é batido demais, eu curto bichinhos...
- Detesto quando você faz essa vozinha afeminada ridícula, já falei...
- É isso! Já sei o que me incomoda!
- O que, amor?
- Aqueles bichos são gays! É isso! Eu não quero usar um banheiro assim...
- De onde você tirou essa idéia?
- Os pavões, os pavorosos pavões... são dois machos! Você viu o tamanho do rabo deles!? Como eu posso usar aquele banheiro com eles lá dentro? Posso ter idéias...
- É, também gostei.
- A cozinha novinha! Vou encher as paredes com a coleção de pratos da "Boa Lembrança".
- É mesmo...
- E o piso? Lindo, fácil de limpar. Podemos ter um cachorro, as crianças vão amar, tem espaço... dá trabalho, tem que limpar, passear, ah!, mas é comercial de margarina, tem que ter cachorro!
- Sei... cachorro...
- Nossa, que desânimo! Você estava tão empolgado, o que foi?
- O banheiro de casal, não gostei.
- Deixa disso, amor... é um detalhe. Ninguém vai reparar, fica na área privativa da casa, é muito alto. Nem quando usarmos o banheiro aquilo vai incomodar. Você nem vai ver.
- Não vejo, mas sei que está lá. Assustador. Quem pensaria numa porcaria daquelas!?
- Calma, não precisa se exaltar, muito barulho por nada.
- Pensa comigo. Não faz sentido. Gastam uma grana na casa, arquitetura estilosa, jardim bacana... aí, em algum momento, decidem colocar aquela merda imensa no banheiro? De quem foi a idéia de girico?
- Amor, deixa disso. É só um detalhe...
- Detalhe!? Você viu o tamanho do "detalhe"? Se aquilo prá você é um detalhe, casada com um japonês você seria feliz, é isso? Aquilo sim é detalhe.
- Benhê, não misture as coisas. Eu gostei muito da casa e...
- Eu também gostei, mas aquilo... Já sei, antes de decorarmos a casa, compro uma bola de futebol e deixo o Luquinhas bater bola no banheiro. Quem sabe ele acerta o chute e resolve nosso problema.
- Seu problema, amor. Deve ter sido uma perua qualquer, com ataque ecológico que resolveu usar a parede para homenagear o Greenpeace. Não me incomoda, nem vou ver. Gostei de todo o resto. Pára com isso, você tá parecendo criança.
- Pára? Você viu direito aquilo? Quem é que escolhe um tréco daqueles prá decorar um banheiro? Prá decorar qualquer coisa? O casal entra na loja e começa - ai, amor... que tal um motivo floral? ui, benhê, floral é batido demais, eu curto bichinhos...
- Detesto quando você faz essa vozinha afeminada ridícula, já falei...
- É isso! Já sei o que me incomoda!
- O que, amor?
- Aqueles bichos são gays! É isso! Eu não quero usar um banheiro assim...
- De onde você tirou essa idéia?
- Os pavões, os pavorosos pavões... são dois machos! Você viu o tamanho do rabo deles!? Como eu posso usar aquele banheiro com eles lá dentro? Posso ter idéias...
terça-feira, 12 de junho de 2012
Marfim
Estar ao seu lado
Liberdade clichê
Algumas surpresas
Você
O solo caminha meus passos
De sonhos estrelas despertam
Uma grande aventura
Viver
sábado, 19 de maio de 2012
Babel
nove e vinte e quatro trinta e seis minutos para estar dentro do carro será que vai ter transito não está chovendo isso é bom a empresa fica perto nada mais é perto nesta cidade nem a pé nem de bicicleta coisa estúpida essa agora todo mundo resolveu pedalar na calçada na marginal em cima de velho cachorro jovem foco termina de fazer o que você começou kit promocional pen drive laptop check list nem sei quantas vezes conferi este material practice makes perfection Oi, querido, não posso conversar agora, me chame mais tarde, estou saindo para a apresentação. agora vai perguntar Qual apresentação? eu falo ele não escuta eu vejo e finjo que não percebo assim levamos nem me importo mais cada um tem o que merece o que eu mereço é isso um bundão dez vezes bundão O material no qual tenho trabalhado como uma besta nos últimos quinze dias, darling, esqueceu? offline resolvido infraestrutura fraca ajuda nessas horas cai o sinal da internet corta a conversa chata cadê a chave do carro achei na bolsinha preta tá aqui e a chave do apê do john também passo lá depois tô precisando dele tenho que escovar os dentes antes de sair batom sombra rímel delineador prá disfarçar essa droga de lifting cadê a escova bolsinha verde aqui tá tudo aqui esse cabelo tá um horror marcar para o sábado no salão mudar a cor retocar a raiz castanho escuro mexas melhor deixar como está equipe que está vencendo não se troca preciso de um ar mais jovem cara de mãe do john nem pensar cadê os óculos nove e vinte e seis vai dar certo estou preparada sempre estou over preparada nada pode me abalar só eu mesma a dora diz isso sempre oito anos falando a mesma coisa duas vezes por semana sou maior que isso vai ser excelente como sempre nove e trinta saio em meia hora ar sumiu pânico malditos morcegos no estômago pressão ar preciso de ar cadê o saquinho preciso respirar aqui não dá funcionário olhando melhor no banheiro pegar o saquinho a bolsa minha vida na bolsa respirar no saquinho que fica dentro da minha vida que cabe numa bolsa pânico suor é só a minha cabeça inspira... expira... vai dar certo... estou acostumada... i'm really used to... inspira... expira... escuta aqui mocinha você tá preparada muito preparada este mercado é seu ninguém é tão preparada quanto você nem a helena sabe o que você sabe nem tem os clientes que você tem esquece essa traíra inspira... expira... toda vez a mesma coisa tomo um calmante melhor não eu consigo já consegui outras vezes muitas vezes centenas de vezes grupos grandes pequenos médios inglês alemão espanhol fluência prática desde pequenininha aprendi faça assim faça assado repete outra vez e mais outra e repete tá errado de novo repete practice makes perfection repassei várias vezes a lista de presentes tudo em inglês cool keep cool inspira... expira... dez anos neste mercado ninguém faz este trabalho como eu ninguém inspira... expira... é só mais uma turma a última pacote entregue serviço feito tudo perfeito sou perfeita vou arrasar merda dez horas Tô atrasada!
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